terça-feira, 22 de abril de 2014

Impecável insanidade

Só ela sabia o quanto as manhãs incolores do Outono as faziam falta. As poucas folhas que lhe caíam em volta a fazia lembrar do tempo em que entendia o que a cercava.
Onde frio se tornava calor em frações de segundos, preto e branco virava colorido e músicas o alimento ideal para a alma.
Se auto culpava quando não compreendia o fato de ser diferente de todos os outros; Sua personalidade era surreal. Assim como sua beleza espantosamente cativante.
Seus lábios esboçavam sorrisos que parariam uma guerra. Era apaixonante!
Confesso amá-la. Confesso o desejo de ter-la sempre em meus braços.
Me intrigava sua capacidade de enxergar beleza onde todos viam escuridão. Lhe encantava os dias gelados, e as indiferenças do mundo a atraíam.
O remorso que me consome por a ter deixado ir se iguala a minha humildade de reconhecer que nunca seria o suficiente a ela.
Não a vi parti com alegria. Meu coração se despedaçava aos poucos.
Eu a amei como os livros não contam, como os autores não descrevem. Eu a amei como só Deus poderia compreender.
Reencontra-la em meus sonhos virou uma rotina quase inquebrável. Sonhos que me recordavam seus olhos sorridentes.
Dizem que a perfeição não existe, mas posso afirmar que ela era perfeita. Seus defeitos eram meus insanos fetiches. E suas qualidades, meus vícios.
Quem dera eu, se por uma felicidade do destino eu cruzasse novamente seu caminho e dize-se a ela o quanto os céus fora generoso por ter dado a oportunidade de conhece-la.
Talvez fosse a turbulenta mente de alguém que faz do café, sua água, que a tivesse inventado em meu mundo inconsciente. Mas preciso assumir que ela tem sido a minha melhor criação. Uma criação impecável onde que quem a inventou era quem a mais entendia. Alguém que acreditava que as dores de um pesadelo muitas vezes são bem mais agradáveis do que os sorrisos de uma realidade.

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