quarta-feira, 9 de julho de 2014

Em um relacionamento sério, muito sério

Relacionamentos são complicados, há quem duvide?
Exemplo disso é o número de pessoas que preferem as aventuras de um solteirão, ao Domingo à tarde na casa dos pais dela.
Mas querem a verdade mesmo? Relacionamentos não são complicados, somos nós que o complicamos. Não me venham com a desculpa de não buscarem relações sérias por elas te roubarem a liberdade ou exigirem demais sua atenção, isso não é motivo, é escape de quem tem a mentalidade como de uma criança que julga os brócolis de ruim por mera conveniência, do que dar ao menos a oportunidade de experimenta-lo. O fato é que existem pessoas por esse mundo a fora de todo o tipo, gosto e crença. Há quem ache que tem o direito de proibir a namorada de usar aquele short mais curto, quem se sente no poder de atrapalhar o futebol sem malícia do namorado em uma quarta à noite ou quem simplesmente não liga para nenhum desses dois exemplos citados e acredita que relação amorosa não é cadeia, muito pelo ao contrário, é mostrar ao outro que a liberdade pode ser degustada com uma pitada de cuidado.
Namoros não dão certo pela culpa de quem os começou e não pelo fato de ser um “namoro”. Pensamento ultrapassado esse de quem julga os apaixonados de cafona ou que não estão aproveitando sua vida. Relacionamento sério é escolha, não contrato do fim da sua felicidade, até porque quem decide as regras de convivência é seu amor e você mesmo.
Não tiro a razão daqueles que preferem passar o fim de semana em barzinhos ou baladas bregas do cento da cidade, admito: Não é fácil conviver com outra pessoa! E isso não é exclusividade só dos relacionamentos amorosos. Estou generalizando. Estou falando da dificuldade em manter harmonia com a menina irritante que fica na secretaria da sua faculdade, do cara que só quer falar do carro novo no seu ambiente de trabalho e das senhoras que insistem em te olhar de um jeito sutilmente manipulador quando se está sentado no ônibus lotado e elas em pé. Saber lidar com esses tipos de situações de relacionamento assim como os namoros, não é fácil e não é para qualquer um e se você acha que essa onda não é para você, que continue assim até se sentir confiante de encarar, boa parte das decepções de pessoas com seus parceiros (as) é fruto dessa autoconfiança equivocada de achar que sabe amar alguém ou servir de apoio ao outro.
Se não pegamos uma bicicleta na aventura para andar, mesmo nunca tendo feito isso antes, por que ainda julgamos o equipamento quando caímos e nos damos de cara no chão? É a mesma lógica.
O despreparo de certos casais é nitidamente percebido e disfarçado com frases do tipo “Mas, eu gosto dele (a)” “Nós estávamos a três meses juntos já, decidimos namorar”. Se tempo fosse justificativa para uma boa relação, casais com seus tantos anos de casado não se separariam.
Uma das coisas que precisamos entender é que não só de amor em um namoro ou casamento, o casal viverá. Precisa haver cumplicidade, harmonia e paciência, acima de tudo paciência.
Paciência para aguentar aquelas ligações às duas da manhã da sua namorada reclamando de algo que aconteceu há três semanas que já nem lembrava mais. Da mesma forma que é preciso paciência para ficar até tarde conversando pessoalmente ou por celular com seu namorado que está explodindo de alegria porque seu time venceu aquele jogo que você não entende nem porque os jogadores estavam com o uniforme diferente.
Dizer que não serve para namorar ou que nunca namorará por motivos que até soam coerentes ou não, é uma escolha um tanto quanto equivocada. Um namoro pode durar dois dias, dois meses, dois anos, uma vida e te trazer experiências diversas como homem ou mulher que talvez nem todas as viagens para os mais badalados lugares do mundo você conseguiria adquirir. Mas também não julgo você que pode até não gostar de festas e pegações e sim daquela liberdade de sair do trabalho e ir direto para casa, dormir, tirar fotos para postar no Instagram ou simplesmente jogar aquele lançamento de Play3 sem precisar justificar nada a alguém. Saber se divertir sem depender de segundos ou terceiros é qualidade e triunfo de poucos, confesso.
O que não podemos discordar é que nem sempre sua felicidade vai ser adquirida por culpa daquela pessoa e nem mesmo sua infelicidade.
Decidir que é hora de compartilhar a coberta e o sorvete comprado em uma tarde de sábado, é coisa séria e se aquilo renderá um futuro maravilhoso ou uma catástrofe, cabe você e seu respectivo parceiro ou parceira decidirem.
Nós temos que ter em mente somente uma verdade: Estamos deixando de viver sensações e sentimentos incríveis por medo, e olha, enquanto o medo for maior que sua vontade de mudar sua vida para melhor, tudo continuará tão clichê quanto tatuagem de estrela no ombro direito.
Saber conviver com o outro é uma dinâmica deliciosa e prazerosa. Algo que só se pode presenciar quando deixamos de lado aqueles palpites da amiga mal amada ou do amigo-irmão pegador.
Alguns picos diferentes de felicidade só são alcançados quando ha ousadia de subir um degrau a mais daquela longa escada chamada vida, uma felicidade que ao menos pode ser avistada se dentro de você ainda tiver marcadores que continuam a te afirmar que tudo está ótimo e não precisa de mudanças.
Ah meu amigo e minha amiga, quando procuramos a fundo e organizamos os nossos sentimentos acaba que sem querer ou não, encontramos aquele que te impulsiona a estradas que nem em sonhos havia visto, estradas que te levarão a aquela pessoa, aquela mesmo, que te fará entender porque antes poemas de Vinicius de Moraes soavam tão chato.

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